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Distúrbios de Coagulação na Medicina Veterinária

A coagulação sanguínea é um processo fisiológico que envolve diversas etapas e tem como objetivo cessar o extravasamento de sangue de vasos sanguíneos danificados. Esse processo envolve a transformação do sangue de sua forma líquida para um gel sólido. Para manter o bom funcionamento do organismo, é necessário um equilíbrio adequado do processo de coagulação a fim de manter o controle sobre hemorragias e tromboses (hemostasia). Sendo assim, distúrbios (adquiridos ou genéticos) nas etapas de coagulação, podem levar a doenças e condições clínicas que exigem tratamento e monitoramento do animal.

A hemostasia pode ser dividida em:

– Primária: Após uma lesão no endotélio vascular, há a formação de um tampão plaquetário inicial. Para isso, ocorre vasoconstrição local seguida de adesão, agregação e ativação plaquetária. O fator de Von Willebrand é responsável por mediar a adesão inicial das plaquetas ao endotélio vascular.

– Secundária: É responsável pela coagulação propriamente dita. A ativação de diversos fatores em cascata leva à formação de uma rede de fibrina que estabiliza o tampão plaquetário. É dividida em via intrínseca e extrínseca, e ambas convergem na via comum.

– Fibrinólise: É a quebra do coágulo formado para reestabelecimento do fluxo sanguíneo normal.

A alteração em fatores de qualquer etapa do processo de coagulação pode levar a coagulopatias. Dentre os sintomas que essas doenças apresentam estão hematomas, equimoses e hemorragias. Algumas das doenças mais comuns relacionadas à distúrbios de coagulação na rotina veterinária, são:

TROMBOCITOPENIA

A redução da contagem de plaquetas está relacionada a diversas causas: diminuição da produção, aumento da destruição, sequestro ou utilização. Doenças infecciosas, neoplasias, uso de certos medicamentos e doenças autoimunes podem ser responsáveis por levar à trombocitopenia.

DOENÇA DE VON WILLEBRAND

Doença que afeta cães e gatos e resulta de uma deficiência genética na produção do fator de Von Willebrand. Com a redução desse fator, há prejuízo na adesão de plaquetas ao endotélio durante a hemostasia primária, facilitando ocorrência de sangramentos.

DOENÇAS HEPÁTICAS

O fígado é o principal órgão de produção de fatores de coagulação, portanto hepatopatias podem causar alterações em sua produção levando a um excesso ou uma falta de coagulação.

HEMOFILIA

É uma doença hereditária que afeta a produção de fatores da coagulação, acometendo principalmente cães machos. A Hemofilia A consiste em uma deficiência do fator VIII e a Hemofilia B a deficiência do fator IX.

COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMIINADA (CID)

É uma síndrome que se desenvolve de maneira secundária a algumas condições que podem atingir o animal. Leva a formação de microtrombos em órgãos e hemorragias devido ao sequestro excessivo de plaquetas. Algumas das causas de CID são: neoplasias, sepse, doenças infecciosas, Peritonite Infecciosa Felina (PIF), entre outras.

Para o diagnóstico de coagulopatias é necessário levar em consideração o exame físico do animal, sua história clínica e exames laboratoriais. O coagulograma é um importante método para auxiliar nesse diagnóstico ao medir, entre outros parâmetros, o Tempo de Protrombina (TP) e o Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPa). Um TP alterado indica problemas na via extrínseca ou comum da cascata de coagulação. Já o TTPa avalia a deficiência de fatores da via intrínseca assim como a comum. Alterações nesses valores podem contribuir para o diagnóstico de condições que afetem a hemostasia primária.

O CoagVet ECO POC é um aparelho portátil que libera, em no máximo 7 minutos, os resultados de TP e TTPa para auxílio no diagnóstico de coagulopatias em cães ou gatos. 

REFERÊNCIAS:

Canine and Feline Coagulopathies Michelle Fulks, DVM, Virginia Sinnott, DVM, DACVECC William B. Henry, Jr. DVM, DACVS, 2013, Boston Veterinary Specialists.

Distúrbios da Hemostasia em Cães e Gatos; Dalmolin, M. L.; Universidade Federal do Rio Grande do sul, Faculdade de Veterinária, 2010.

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